O CÉREBRO NÃO NASCEU PARA LER: CONTRIBUIÇÕES DA NEUROEDUCAÇÃO PARA COMPREENDER A ALFABETIZAÇÃO COMO APROPRIAÇÃO DE UMA TECNOLOGIA CULTURAL
Resumo
Este ensaio analisa as contribuições da neuroeducação para compreender a alfabetização como apropriação de uma tecnologia cultural. Fundamentado na Psicologia Histórico-Cultural, discute a escrita como uma invenção historicamente produzida cuja aprendizagem reorganiza qualitativamente as funções psicológicas superiores. Em diálogo com a teoria da reciclagem neuronal, argumenta-se que o cérebro humano não evoluiu biologicamente para ler e escrever, mas adapta circuitos neurais preexistentes às exigências da cultura escrita. Defende-se que as evidências da neurociência complementam, sem substituir, a explicação histórico-cultural da alfabetização, ao descreverem os mecanismos neuro funcionais envolvidos nesse processo. Assim, a alfabetização é compreendida como um processo complexo, resultante da articulação entre fatores biológicos, históricos, culturais e pedagógicos. Conclui-se que a aproximação entre Psicologia Histórico-Cultural e Neuroeducação amplia a compreensão da aprendizagem da leitura e da escrita, fortalecendo práticas educativas fundamentadas em evidências científicas e comprometidas com a formação humana.
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